Em entrevista na terça-feira, no dia 11 de Junho, a coordenadora do NRS – Núcleo Regional de Saúde - com sede em Jacobina, Kátia Alves, que falou via telefone sobre a desapropriação do Hospital Regional, iniciativa essa da gestão do prefeito Luciano da Locar, que na verdade ressoou como surpresa por conta da negociação que estava em andamento entre o município, governo do estado e AJA, entidade que administra a unidade de saúde, desativada desde 2013.
“Recebemos a desapropriação como surpresa, mas não significa que a participação do estado não possa compor essa nova fase que envolve o Regional, diante da necessidade de traçarmos uma política mais ampla de saúde, pelo fato de dispormos de duas unidades de saúde em Jacobina, tendo como referência, o Regional e o Teixeira Sobrinho”, disse a coordenadora, que falou sobre sua candidatura ao cargo de deputada por Jacobina e que mesmo sem alcançar êxito no processo de votação, para Kátia Alves, participante do processo pelo PT, foi uma experiência favorável para a sua história de vida e como militante política Jacobinense. “Uma resposta positiva das urnas, mesmo não obtendo êxito”, disse a coordenadora de relevantes serviços prestados a saúde regional.
A coordenadora falou também sobre a Policlínica, com sede em Jacobina, que seria inaugurada entre Junho e Julho, mas devido ao concurso que pede pela seleção dos profissionais que atuarão nas mais diversas aéreas, a expectativa é que a unidade de atendimento, venha ser inaugurada somente em Agosto. “O concurso vai atrasar a inauguração da Policlínica, mas é pouco tempo; daqui a pouco teremos esse importante mecanismo a disposição de toda uma região”, colocou Kátia Alves.
As Policlínicas visam prestar serviços de média complexidade na rede de saúde da região, ampliando o acesso ambulatorial a especialidades médicas diversas e exames em busca de uma maior atenção à saúde do paciente. Foram idealizadas para cobrir um vazio assistencial identificado na Bahia. Apesar de a cobertura da Atenção Básica atingir mais de 70% do território baiano, esta não funcionava de forma resolutiva, pois faltava acesso aos médicos especialistas e à realização de exames diagnósticos para direcionar os tratamentos. Neste sentido, o projeto visa garantir a oferta dos exames complementares e consultas especializadas para todas as regiões de saúde da Bahia, fornecendo resolutividade à Atenção Básica e evitando que os pacientes precisem ir para os hospitais com casos que podem e devem ser solucionados na atenção primária e secundária.
A entrevista registrou ainda orientações da coordenadora do NRS, sobre a campanha de vacinação contra a gripe, com alguns municípios da região não alcançando a meta; situação que traz preocupação para toda uma população. “Quando o município não alcança a meta deixa parte do público alvo vulnerável, principalmente por conta de resultados que o país não vem alcançando, em relação a própria gripe, assim como outras campanhas”, alertou Kátia.
Por fim, a coordenadora falou com muita propriedade sobre o combate à dengue, com base na morte da garotinha de seis anos, que faleceu na semana passada em Jacobina, vítima de dengue hemorrágica, depois de passar pelo atendimento na UPA 24h e do Hospital Antônio Teixeira Sobrinho, nesse segundo momento, já com quadro elevado da doença, chegando a ser transferida para Salvador, mas não resistiu a gravidade dos sintomas, como febre alta, diarreia, plaquetas baixas, dentre outras situações descritas por Kátia, que levaram a morte da garota, num sinal de alerta para Jacobina e região.
Além de falar do problema da garotinha, a coordenadora falou sobre Capim Grosso, que há meses vem sendo monitorado, com citações para as cidades de Jacobina, Morro do Chapéu, Ourolândia, Quixabeira e São José do Jacuípe. “Os municípios precisam estar atentos, isso é de praxe, mas a população também precisa fazer a sua parte”, alertou a coordenadora sobre os ricos de novos casos de dengue hemorrágica na região.
Em Capim Grosso, por exemplo: há três meses o coordenador Rangel da Vigilância Epidemiológica trouxe como informação que a cidade naquele momento chegou a registrar dois casos de dengue hemorrágica clinicamente comprovados, assim como mais de 100 casos de dengue também clinicamente comprovados, levando a gestão a iniciar a sexta-feira da faxina, nos bairros atingidos pelo mosquito, com citação ainda para o pequeno número de agentes de combate à dengue, que precisaria dobrar diante dos casos citados e da demanda que tem aumentado a cada dia.
Capim Grosso, cidade eixo de uma grande região, com rodovias ligando o Nordeste, assim como outras regiões do país, segue com suas portas abertas para o mosquito que mata, com registro mais uma vez para a necessidade de aumentar a quantidade de agentes.
O número de mortes por dengue no Brasil é quase três vezes maior neste ano em relação ao mesmo momento de 2018. De acordo com o boletim do Ministério da Saúde datado de 5 de junho, as mortes por dengue confirmadas até 27 de maio eram 295. No mesmo momento do ano passado, o país havia registrado 99 mortes pela doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.
No mundo todo, 6,1 bilhões de pessoas correrão o risco de contrair dengue em 2080 - o equivalente a 60% da população projetada para o fim do século XXI. O índice representa um aumento de 2,25 bilhões de casos em relação a 2015. Segundo estudo publicado na revista científica Nature Microbiology, na última segunda-feira (10), os principais fatores que explicam o fenômeno são o aquecimento global e o crescimento da população em áreas endêmicas.
O mosquito Aedes aegypti aparece em áreas tropicais e subtropicais. No calor, o período reprodutivo é encurtado, ele bota mais ovos e pica um número maior de pessoas. Por isso, a elevação das temperaturas pode aumentar a incidência do inseto em regiões que já registram casos da doença.
O problema mais grave continuará concentrado na América do Sul, no sudeste asiático e na África central, que já são áreas endêmicas. De acordo com os cientistas, as previsões apontam que a população desses continentes vá aumentar - o que pode sobrecarregar os sistemas públicos de saúde de nações pobres.
Em resumo: países que já sofrem com a dengue, como o Brasil, devem ficar mais quentes, com temporadas mais longas de transmissão da doença e casos mais severos. Se, ainda por cima, a população crescer, o número de pessoas com risco de contaminação será naturalmente maior.
Texto: Arnaldo Silva, DRT – 2805/BA – com informações complementares do G1 através do site Bem Estar/Foto: Reprodução Mais Política do radialista Geyder Gomes.
Nenhum comentário:
Postar um comentário